domingo, 15 de agosto de 2010

Golfinhos


O amor corre nas veias
Ao cimo, na flor da pele
Em seu curso, até desaguar
São correntes de abraços
Demorados e apertados
Perdidos em alto mar

Golfinhos que resvalam soltos
Longe...
Fica a onda ao arrebentar
No mais tépido encostar
Cálidos e apaixonados
Em brincadeiras a bambolear

Num corpo
Que se toca molhado
Em raios de sol a secar
Num céu descoberto
Só por quem sabe amar

Sai o sol ao encontro da lua
Penetrando num horizonte
Nas ondas a baloiçar

Seguem sem bússola
Barquinhos a navegar
Sem o norte nem o sul
Perdidos naquele lugar

Resvalam em calmo mar
Até vir a onda
Desfazer a areia
Num belo luar.

Cristina Moita

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Recordo...



Recordo…
Perto de uma esquina
Junto de uma montra

Onde paramos?

Onde tu não me quiseste
E eu…
-não te quis!
Sabes bem…

O relógio marcou os passos
…Para trás
e para a frente também…


E os cretinos dos olhos
Marcaram a alma
Cravados no corpo
Nos olhos que tem


Cristina

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Silêncio




Silêncio...
Façam barulho!
Silêncio de onde vem?
Por mais que façam barulho...
Vivo no silêncio também…

Cristina

Manhã de neblina



Regalo o corpo
Numa areia fina
Deslizam castelos
Nos dedos de uma menina
Ao recordar esta areia
Sinto um arrepio,
No ventre
Cercado de Maresia
Numa manhã de neblina
...Vejo a Nossa Senhora
Falo com o mar…
Falo com a proa…
(Olho o rio)
Vejo partir uma canoa
Debruada de filigrana fina
Com o teu nome, cravado
Desenhado com a minha boca
Numa noite de céu estrelado
Que levava a minha roupa

Os nossos corpos cruzados
Nos terços das velhas
Rezavam...
Pedindo ao mar
Nossas bocas

Cristina

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Liberdade é a(mar)

Fui...
Mas vou voltar!
A praia sempre foi o meu lugar...
Sou um peixe...
o meu horóscopo não tem lugar.
Perco-me no brilho das águas a respirar
O farol tem metáforas
Cravadas no rosto
De um pescador
Que aguarda a sua pesca
Deitando as redes ao mar
Na persistência de um luar
Sou pesca...
Não sereia! A fada não me iria modificar...
Não tenho guelras nem tentáculos
Para ser polvo ou cavalo do mar
Sou um peixe diferente
Aquele que quiseres encontrar...
Sonho, olhando as estrelas
Tudo em mim é água
Como uma criança a levitar
Procuro a liberdade
No profundo sentido da palavra
A(mar)

Cristina

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Estrela do Mar


Olhei, para aquela estrela
Mais laranja que amarela
Sentei-me e, falei com ela
Bem perto, uma pedrinha
Ela tinha o brilho do sol
E no meu pensamento
Uma janela
Rodopiei com a dita
Deixei uma palavra escrita
Um coração, desenhei com ela
Branca, polida e bonita
Um pedacinho na terra
Conversamos tanta coisa
Até no reflexo do mar
Eu me deixei ir com ela
Depois de muito conversar
Deixei-a lá ficar, para o mar a vir buscar
De noite, se a encontrar
Neste lindo planeta azul
Que nós temos que cuidar
E o amor não descuidar
Coberto de mar e terra

Cristina Moita

domingo, 23 de maio de 2010

Rosa vermelha


Rosa vermelha,
de pétala molhada,
seu aroma e cor
com um cheiro
devido,
fragrância de amor.

Hoje estás marcada,
és a flor do amor
ilustre na terra,
que lindo botão
floresce
nos olhos
e no coração,
fluido do amor
de eterna paixão.

Rosa na orelha
e no peito
da mulher sem jeito...
que linda ficou!

Pétala de veludo
em vela iluminada,
gota de água derramada,
no banho o bálsamo
de um louco amor.

Rosa seca e bela
sempre volta a terra,
lágrima eternizada
por quem tanto...
amou!

Cristina Moita