terça-feira, 29 de setembro de 2009

Papel Pardo


Ouvi o teu carpido
Que não me zumbiste ao ouvido
Trazia o barulho da água
No gosto de ter bebido

Trazia os olhos já baços
Do sal que batia no vidro
Esses olhares eram traços
Por mim já bem conhecidos

Se o sonho é água que corre
Sou sempre vinho desconhecido
Vazei da garrafa que escorre
Virei papel pardo no vidro

Se um dia acordares na praia
E o sol estalar o vidro
Sou o papel velho encharcado
Dizendo amo-te ao ouvido


Cristina

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tia XD



Sabem o que é sorte?
É ter sobrinhos e filhos que nos ensinam

E ter dois filhos e uma filha
Maravilhosos e lindos
Com primos e primas
Numa casa animada

Começo no L que é o Luís
Era o meu menino
Hoje tem uma linda namorada
e é um homem feliz
Tem uma mão para o desenho
Que já nasceu ensinada

A seguir vem o D que é o Diogo
Era um lindo traquina
A fazer puzzles, ninguém lhe ganhava
Hoje um belo adolescente, meigo e atraente

A seguir vem o M que é o Mário Jorge
Gosta de toda a gente
Fala Inglês correctamente
E com ele é só rir permanentemente

A seguir vem o F que é a Filipa
É uma menina sossegada
Gosta muito de ler
Muito Inteligente e de airosa
Também não lhe falta nada

A seguir vem o C que é a Carolina
A correr deixa todos para trás
A linda loirinha travessa
Uma Maria rapaz, ainda não tem consciência da beleza que traz

A seguir vem o J que é o João
O meu vivaço com memória de espaço
Um grande inteligente, espertalhão
E que grande brincalhão!

A seguir vem o M que é a Marta
A mais nova da tia
Tem um jeito para dançar e cantar (mas que voz),
Nuns olhos azuis e beleza traquina
que reluz.

Eu sou a tia XD…como diz a Filipa
Eles dão-me tanto
Sem eu nunca ter pedido nada… (no Natal fico depenada rsrs)
Eu sem eles não era nada!
Cristina

sábado, 26 de setembro de 2009

Foco


Lentamente apreendo a esponja, sobre o meu corpo
A água resvala, sobre a minha perna…devagar…
Os meus seios iluminam, num raio de luz
Que entrar pela fresta da janela a alinhar
Seguro o cálice, tocando suavemente nos lábios
Sobre a aresta do vidro, a cereja escorrega a delirar
Escuto o ranger da porta, perco-me a sonhar
Passando o pé no pé, deslizo pela banheira
Sinto o meu corpo a escorregar, levanto a perna
E ao afundar, seguro suavemente em cada madeixa
A entrançar, num cabelo negro de te alcançar
E levianamente o sabonete quer se encostar
A porta range e, o peito aquece a queimar
Em flash, com raios de sol a querer-me tocar
No meu corpo o calor incide sobre mim
Liberto-me no espaço da tua ogiva…a saborear!
Cristina

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A caixa fechou no silêncio...

















O palco escureceu
no sereno bailado dos cisnes,
ao enlaçar num rodopiar de corpos
sobre um lago parado,
num reflexo de amor.
...Nas sapatinhas os certeiros passos,
enternecem os gelos...
num descer de corpos desdobrado.

Num lago fundo,
procurando ressurgir
em céu despido, só de duas cores
Azul celeste no branco dos astros e das flores
Bailando ao lacrimejar num tilintar de cristais
de quem não sofre mais.

Assim como quem findou de amores.
Numa caixa de música a bailarina parou
e a caixa fechou no silêncio
nessa noite em que amainou
o quadro do tempo.

Em seu redor
esvoaçaram as folhas
no vento…
Cristina

sábado, 19 de setembro de 2009

Teu corpo é um feitiço


Vens devagar…

Navegas no meu silêncio
Até me encontrar
Teu corpo é um feitiço
Tua boca a perdição
Tuas mãos são duas conchas
Vindas nas ondas do mar
No azul embala o peito
Até o sol espreitar
Sopra o vento…
Pedindo as estrelas no olhar
Trazes o coração preso
Derramando tanta beleza
No precipício de amar
Corre a vida…
Corre a praia…
Agarra o céu…
E tudo vais encontrar!

Cristina

sábado, 12 de setembro de 2009

Júlia costureira - (Coimbra)


http://www.youtube.com/watch?v=w3ZXE0Ewzb8


Júlia costureira,
Quem a conheceu?
A poetisa…
que nos bancos escreveu
Quem a viu?...
Com tanta fé a rezar
Cada oração, enchia o olhar
Se fui a Coimbra...
Aprendi a amar…
Nos olhos de quem, já a viu chorar
Meus olhos de menina
Sempre a observar
A ânsia de um fato
De quem quer casar
Na capa de um estudante
Que a vai deixar
Histórias do poeta
Que o Mondego amou
Bela D. Inês
Que no amor findou
Lendas não esquecidas
De quem me ensinou
Quem amou Coimbra
E por lá casou
São traços da vida
Em memória amiga
Nos pontos marcados
Que a Júlia traçou

(Dedico com muito amor à minha Júlia)

Cristina

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Por sorte, morreu…



Fiquei intrigada ao ler
Seria versátil
O que queria dizer?
Seria amor, cheiro, cor ou prazer?
Seria até? …
Um rouxinol a crescer…
Seria, ou não seria?
Não quero saber!
Às vezes o que digo é, só por dizer
E, o que eu gosto mesmo é...
de ver o sol a nascer
E correr descalça nas flores sem um prego
a doer.
De correr pelo rio e voltar…
Ser tua, sem ter medo de amar…
Chapinhar…
Chapinhar…
Chapinhar…
Ser proa no barco ao luar
Sentir arrepios, mesmo sem estar frio
Um pássaro a voar com o céu a corar
Agarrar o teu eu, em pleno suar
Borboleta que voou…
E por sorte, morreu…
A saber a(mar)!
Cristina

domingo, 6 de setembro de 2009

Amigo imaginário


Tenho um amigo imaginário
Que anda comigo em todo o lado
Já lhe falei do céu da chuva e do mar
E da cor azul, que nos cerca no ar
É preciso a onda solar, para ela se juntar
E ao longe me perco, com ele
Em dilúvios e tornados
No branco das nuvens a sonhar
Não me perguntem o nome, não quero saber!
Mas tu não o vês, só eu consigo ver
Sempre triste e zangado…
Mostrando um sorriso…
Que não consegue conter
Ele é lindo e sossegado
Não pediu para nascer
Disfarça o olhar cansado
Da vida…não poder ter
Serei eu a culpada?
Do inventar ao nascer
Cristina

sábado, 5 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

No teu temporal


Quero sentir...
Em ti frenesim
No amor o desejo carnal
Faz tudo de mim
Que eu, estou em ti…!
Sou o teu corpo…afinal!
E vêm trás o esperma
Que eu sou um poema
Mulher, animal
A deusa da lua
Que estou toda nua
No vento e na rua
No teu temporal



Cristina

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Menina Gaivota







Hoje é tempo de voar
...Eras uma gaivota presa
Que se conseguiu libertar...
A asa do vento
Sobrevoando o brilho do mar
A fome inquieta
Do peixe que ias largar
Um reflexo, nas asas do sonho
De quem te conseguiu encontrar
Vais em voo até a ilha
Vais sobrevoando pelo mar
Vais parar numa falésia
Com a liberdade no olhar
Por mais que os teus olhos se percam
Perdidos na imensidão do mar

Tu és a menina gaivota
Tu és a menina do mar

Cristina