domingo, 22 de agosto de 2010

Um amigo que partiu


Um amigo que partiu
É um pássaro livre
Na beira de um rio
É um anjo que nos vê
E chora com a gente
Nos abraça no frio
Um amigo que se viu
Soa na alma das nossas gargalhadas
De um amigo que se sentiu
Soa na memória marcada
Levada na proa da nossa risada
Não nos esquece e, por nós espera
Sem pressa na era…
Na paz gerada
Na luz em que seguiu…

Cristina Moita

sábado, 21 de agosto de 2010

Tutano

Este poema, não tem boca!
Não tem olhos?
Nem nariz…
Só tem osso!
Muito tutano...
Numa alma veles que o quiz
Poema que não tem boca,
Não tem voz!
Só seu cariz
Quer chegar a quem o sente
No molde
De se sentir feliz

Cristina Moita

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Porque me escrevo?


-Eu não sou assimetria,
Nem um desenho geométrico
Que um maluco qualquer queria
-Sou uma alma apaixonada
Mágoa e, nostalgia
Sou aquilo que me querem,
mais aquilo que não via
Não sou nada!
…Sou noite e sou dia…
Queria ir a todo o lado, danço em fantasia
Pois o tempo é um quadro,
E eu pincel que procria
Mas, quando à noite se faz tarde…
Por onde foge a alegria
Essa ruga que me aguarde…
Que eu sou creme, que amacia

Cristina Moita

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Sol e a Lua


Ela passa ao lado,
distante e na sua
Ele a fixa
nos olhos,
No sol que destapa
Ela já é sua…
Fica assanhado
Já a vê nua…

Está alucinado
Procura nos olhos
Um tanto corado
A sorte é sua

Nas mãos que agita
Lhe toca
Vem o vento da lua
Sopra na saia
Arrepiou na nuca
Ela corre assustada
Vai desvairada
Com medo da lua

Ele fica zangado
Um tanto amuado
Já ficou preso…
Entre o sol e a lua

Cristina Moita


domingo, 15 de agosto de 2010

Golfinhos


O amor corre nas veias
Ao cimo, na flor da pele
Em seu curso, até desaguar
São correntes de abraços
Demorados e apertados
Perdidos em alto mar

Golfinhos que resvalam soltos
Longe...
Fica a onda ao arrebentar
No mais tépido encostar
Cálidos e apaixonados
Em brincadeiras a bambolear

Num corpo
Que se toca molhado
Em raios de sol a secar
Num céu descoberto
Só por quem sabe amar

Sai o sol ao encontro da lua
Penetrando num horizonte
Nas ondas a baloiçar

Seguem sem bússola
Barquinhos a navegar
Sem o norte nem o sul
Perdidos naquele lugar

Resvalam em calmo mar
Até vir a onda
Desfazer a areia
Num belo luar.

Cristina Moita

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Recordo...



Recordo…
Perto de uma esquina
Junto de uma montra

Onde paramos?

Onde tu não me quiseste
E eu…
-não te quis!
Sabes bem…

O relógio marcou os passos
…Para trás
e para a frente também…


E os cretinos dos olhos
Marcaram a alma
Cravados no corpo
Nos olhos que tem


Cristina