quarta-feira, 21 de julho de 2010

Silêncio




Silêncio...
Façam barulho!
Silêncio de onde vem?
Por mais que façam barulho...
Vivo no silêncio também…

Cristina

Manhã de neblina



Regalo o corpo
Numa areia fina
Deslizam castelos
Nos dedos de uma menina
Ao recordar esta areia
Sinto um arrepio,
No ventre
Cercado de Maresia
Numa manhã de neblina
...Vejo a Nossa Senhora
Falo com o mar…
Falo com a proa…
(Olho o rio)
Vejo partir uma canoa
Debruada de filigrana fina
Com o teu nome, cravado
Desenhado com a minha boca
Numa noite de céu estrelado
Que levava a minha roupa

Os nossos corpos cruzados
Nos terços das velhas
Rezavam...
Pedindo ao mar
Nossas bocas

Cristina

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Liberdade é a(mar)

Fui...
Mas vou voltar.
A praia sempre foi o meu lugar...
Sou um peixe...
Ou o meu horóscopo não tem lugar.
Perco-me no brilho das águas a respirar
O farol tem metáforas
Cravadas no rosto
De um pescador
Que aguarda a sua pesca
Deitando as redes ao mar
Na persistência de um luar
Sou pesca...
Não sereia! A fada não me iria modificar...
Não tenho guelras nem tentáculos
Para ser polvo ou cavalo do mar
Sou um peixe diferente
Aquele que quiseres encontrar...
Sonho, olhando as estrelas
Tudo em mim é água
Como uma criança a levitar
Procuro a liberdade
No profundo sentido da palavra
A(mar)

Cristina